Hanseníase

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A hanseníase, antigamente denominada lepra, é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. A doença é curável, mas se não tratada pode causar sequelas permanentes. Atualmente o tratamento é oferecido gratuitamente e há várias campanhas para a erradicação da doença. Os países com maiores incidência são os menos desenvolvidos ou com condições precárias de higiene e superpopulação.

A transmissão do M. leprae se dá através de contato contínuo com o doente não tratado. Apesar de ser uma doença da pele, é transmitida através de gotículas que saem do nariz ou através da saliva do paciente. Não há transmissão pelo contato com a pele do paciente.

Afeta primordialmente a pele, mas pode afetar também os olhos, os nervos periféricos e, eventualmente, outros órgãos. Ao penetrar no organismo, a bactéria inicia uma luta com o sistema imunológico do paciente. O período de incubação é prolongado e pode variar de seis meses a seis anos.

Com período de incubação que varia entre três e cinco anos, sua primeira manifestação consiste no aparecimento de manchas dormentes, de cor avermelhada ou esbranquiçada, em qualquer região do corpo. Placas, caroços e/ou inchaços nas partes mais frias do corpo, como orelhas, mãos e cotovelos; fraqueza muscular e dor nas articulações podem ser outros sintomas..

Além disso, são identificadas quatro formas clínicas da doença:

• Hanseníase indeterminada: estágio inicial da doença, muito comum em crianças. São manchas de cor parda, às vezes pouco visíveis, semelhantes às lesões provocadas por micoses de praia, como a pitiríase versicolor, ou pelo vitiligo. No entanto, no local dessas manchas, ocorrem algumas características próprias da hanseníase nessa fase, provocadas pelo comprometimento da enervação. A primeira é a perda da sensibilidade térmica. A segunda, a perda dos pelos na região e a terceira, a ausência de transpiração, porque as glândulas sudoríparas deixam de funcionar normalmente por causa da alteração nervosa.

• Hanseníase tuberculóide: forma branda da doença. A pessoa tem apenas uma ou poucas manchas pálidas na pele. Ocorre quando a patologia é paucibacilar e não é contagiosa. Alterações nos nervos próximos à lesão, podem causar dor, fraqueza e atrofia muscular. O dano é basicamente neural, porque essa forma de hanseníase afeta pouco a pele e muito os nervos.

• Hanseníase dimorfa ou borderline: forma intermediária da doença. Há mais manchas na pele cobrindo áreas mais extensas, que se caracterizam por lesões com limite muito nítido na área central e pouco nítido na periferia. São lesões em fóvea com a aparência de um queijo cheio de furos.

• Hanseníase virchowiana: forma grave e mais agressiva da doença, multibacilar, com muitos bacilos, e contagiosa. Nela, cargas altas do bacilo têm passagem livre por todos os tecidos, porque o sistema imunológico está deprimido Os inchaços são generalizados e há erupções cutâneas, dormência e fraqueza muscular. As lesões são muitas e de aspecto variado. A orelha é afetada por vários nódulos, surgem edemas de sobrancelha e crescimento exagerado do cabelo. Esses sinais somados compõem a face leonina do virchowiano. Nariz, rins e órgãos reprodutivos masculinos também podem ser afetados.

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O diagnóstico da hanseníase é feito pelo dermatologista e envolve a avaliação clínica do paciente, com aplicação de testes de sensibilidade, palpação de nervos, avaliação da força motora, etc. Se o dermatologista desconfiar de alguma mancha ou ferida no corpo do paciente, poderá fazer uma biópsia da área e pedir um exame laboratorial para medir a quantidade de bacilos. O exame identifica se a hanseníase é paucibacilar (poucos bacilos) ou multibacilar (muitos bacilos).

A hanseníase é uma doença totalmente curável e não há motivo para preconceito. É importante ficar atento aos sinais e procurar o médico dermatologista, ele prescreverá o tratamento adequado.

O tratamento específico da hanseníase, recomendado pela Organização Mundial de Saúde – OMS e preconizado pelo Ministério da Saúde do Brasil é a poliquimioterapia – PQT, uma associação de Rifampicina, Dapsona e Clofazimina, na apresentação de blíster.

Essa associação evita a resistência medicamentosa do bacilo que ocorre, com frequência, quando se utiliza apenas um medicamento, impossibilitando a cura da doença. Nas formas mais brandas (paucibacilar) demora em torno de seis meses, já nas formas mais graves (multibacilar) o tempo é de um ano ou mais.

É fundamental seguir o tratamento, pois é eficaz e permite a cura da doença caso não seja interrompido. A primeira dose do medicamento já garante que a hanseníase não será transmitida.

A melhor forma de prevenir a doença é mantendo o sistema imunológico eficiente. Ter boa alimentação, praticar atividade física, manter condições aceitáveis de higiene também ajudam a manter a doença longe, pois, caso haja contato com a bactéria, logo o organismo irá combatê-la.

Outra dica importante é convencer os familiares e pessoas próximas a um doente a procurarem uma Unidade Básica de Saúde para avaliação, quando for diagnosticado um caso de hanseníase na família. Dessa forma, a doença não será transmitida nem pela família nem pelos parentes próximos e amigos.

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